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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Boas lembranças editoriais

Por Eliane Oliveira
A primeira edição do “Semanário Ilustrado Fon Fon” foi publicada em 13 de abril de 1907. O tema abordado pelo periódico era, basicamente, o cotidiano, retratado de forma humorística através de crônicas, contos, caricaturas e charges.

Não é à toa que, nas primeiras páginas da revista, um escritor, de codinome Chaffeur, definiria dessa forma o perfil editorial: “Queremos fazer rir, alegrar a tua boa alma carinhosa, amado povo brasileiro, com a goza inofensiva e gaiata dos velhos hábitos e dos velhos costumes , com o comentário leve às cousas da atualidade”.

Idealizado por Gonzaga Duque, o semanário foi e continua sendo uma referência. A equipe editorial era formada por três intelectuais de tendência simbolista: Gonzaga Duque, Mário Pederneira e Lima Campos. Essa influência do Simbolismo explicaria, talvez, a musicalidade do título da revista.

De valor onomatopéico (quando a pronúncia imita o som natural de coisas), o nome Fon Fon estaria relacionado à buzina dos automóveis, que eram novidade num Rio de Janeiro em processo de urbanização. As capas do semanário indicavam: tiragem de 100.000 km por hora.

O conteúdo era variado. Constantemente eram publicadas notícias sobre ações de pessoas públicas, como prefeitos e governadores. Havia uma seção dedicada às senhoras que visava a atualizá-las sobre a moda (parisiense). Existia ainda uma outra somente de biografias e histórias da vida artística – cantores, dançarinos e atores proeminentes. Anúncios da cerveja Brahma e de lojas de roupas para senhoras e crianças eram algumas das publicidades veiculadas.

A Fon Fon tinha colaboradores célebres, como os ilustradores J. Carlos, Raul Pederneiras e Kalixto, que fizeram história nos principais periódicos do século XX como a “Revista da Semana”, “Careta” e “O Malho”. Outro nome que se consagrou foi o de Ângelo Agostini, que desenhou o logotipo da revista “Tico Tico”, lançada pelo jornalist Luís Bartolomeu de Souza e Silva.
Mais tarde, em 1958, devido à concorrência de revistas como “Manchete” e “O Cruzeiro”, a Fon Fon publicaria sua última edição. Mas não sem antes alcançar seu índice máximo de leitura: 100 mil exemplares.

As edições da Fon Fon, de 13 de abril de 1907 a 28 de dezembro de 1945, encontram-se microfilmadas no Setor de Periódicos da Biblioteca Nacional.

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