Pesquisas: institutos erram e trocam acusações
SÃO PAULO - Os dois principais institutos de pesquisas do país, Ibope e Datafolha, não acertaram os resultados das urnas em algumas cidades. Os casos mais notórios e distantes da média de 2 a 3 pontos percentuais de margem de erro ocorreram no Rio, em São Paulo e Belo Horizonte, segundo analistas políticos. Para o cientista Marco Antonio Villa, as três capitais se tornaram um verdadeiro "Triângulo das Bermudas" na política nacional por causa das pesquisas. Ele avalia que os eleitores podem ter alterado suas opções porque receberam informações erradas, principalmente no Rio.
- As pesquisas são fontes importantes para a democracia, são parte do processo eleitoral. Podemos chegar a 2010 em uma situação de descrédito sobre as pesquisas de opinião, o que é muito negativo - disse Villa(...)
Em entrevistas ao Globo, os diretores dos dois institutos negaram erros e trocaram acusações, principalmente por causa do Rio. O Datafolha avalia que foi o único a detectar o crescimento de Gabeira na reta final.
- Se não houvesse o Datafolha, a surpresa no Rio seria muito maior. E também seria outro resultado, porque eleitores da Jandira migraram para Gabeira. É claro que a pesquisa influenciou e isso é bom, é informação. No Rio, além de definir o candidato, o eleitor escolheu em qual instituto de pesquisa deve confiar - disse o diretor do Datafolha, Mauro Paulino.
Já o Ibope acusa o Datafolha de ter criado uma "onda" pró-Gabeira. O instituto teria elevado a estratificação social dos entrevistados, na análise do Ibope, e, com isso, encontrou mais eleitores de Gabeira, concentrados entre os mais estudados. Com a divulgação da pesquisa, mais eleitores migraram para o candidato, segundo o Ibope.
- É só analisar o Datafolha entre 5 de julho e 4 de outubro: o eleitor enriqueceu cerca de 10%. Ou seja: o Datafolha subiu o perfil da renda familiar e da escolaridade. Acho esquisito mudar uma amostra assim. Por isso, não foi erro do Ibope. O Datafolha criou uma "onda" que ajudou Gabeira - retrucou Márcia Cavallari, diretora de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência. (...)
Márcia Cavallari disse que a taxa de desvio do Ibope com relação às urnas foi de 6% nas 34 pesquisas feitas na véspera e de 3% nas 12 do tipo boca-de-urna. Ela admite que, em São Paulo, a boca-de-urna ficou um ponto percentual acima da taxa de erro. O motivo seria o fato de as entrevistas terem se encerrado às 14h e não às 17h. Segundo ela, 17% dos paulistanos decidiram o candidato no dia da eleição.
- Prognóstico é o que se divulga na véspera, não há erro nisso. No Brasil, 20% dos eleitores têm decidido o voto no dia. E não há precisão absoluta em pesquisas. Agora, eu queria ver se o Datafolha ia pegar o resultado preciso em São Paulo se tivesse feito uma boca-de-urna. Falar assim é fácil. Em Belo Horizonte, o que ocorreu é que o Quintão cresceu, surpreendeu, talvez porque o adversário tenha soado como imposição - disse a diretora do Ibope.(Soraya Agegge)
A matéria na íntegra pode ser lida aqui.(Alexandre F. Soares)