Sou Marcelo A. D'Amico, aluno de Comunicação da UGF, campus Piedade, 1° período, e estou publicando uma resenha de minha autoria, a pedido da Larissa Morais, a respeito de um filme bastante interessante aos jornalistas futuros e graduados.
"A Montanha dos Sete Abutres" traz como personagem principal o jornalista Charles Tatum, interpretado por Kirk Douglas, pai do também famoso Michael Douglas. A história, filmada em 1951 em preto e branco, centra-se num acidente ocorrido numa pacata cidade do interior dos EUA, onde um morador é soterrado vivo. Numa caverna com místicas lendas indígenas, que fica dentro da montanha que dá nome ao filme, começa o sofrimento de uma vítima e a ascensão e queda de um oportunista interessado em alavancar sua carreira.
O jornalista Tatum, acompanhado de um jovem ajudante, chega à cidade de Escudero para cobrir um evento típico local com cobras cascavéis, mas rapidamente muda seus planos, quando percebe que o recente acidente pode render-lhe as primeiras páginas de importantes jornais, dando uma guinada em sua carreira decadente. Trabalhou em importantes jornais de Nova Iorque e outras cidades, mas deixou suas marcas de irresponsabilidade profissional por cada local que passou.
Com Leo Minosa, o cidadão soterrado, não seria diferente. O jornalista faz conchavos com autoridades locais, manipula verdades ao seu favor e atrasa um serviço de socorro, que seria inicialmente de 18 horas, para aproximadamente sete dias inteiros.
O furo jornalístico não alimenta somente a ganância do jornalista, que acaba convencendo todos ao seu redor do dinheiro e fama que o evento trágico poderia lhes trazer. Em poucos dias Tatum chega ao posto que desejava, enquanto ainda mantinha toda a situação sob controle. Mas o desfecho de um simples acidente, transformado num grande evento de mídia, guardava-lhe surpresas que, obviamente, escaparam ao seu controle.
O filme é uma ótima oportunidade, tanto para jornalistas quanto para o público em geral, de conhecer um pouco os bastidores de um jornalismo inescrupuloso, ao mesmo tempo em que nos faz pensar em quais são os limites da notícia.